ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 564 - 17/11/2009
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Big Google começa a assustar estrategistas e usuários da Web
Postado por Carlos Castilho em 6/9/2007 às 11:05:59 AM
 
 

Se existe uma empresa que possa ser considerada um show case do capitalismo digital esta empresa é a Google.

 

Ela começou no dormitório de alunos da Universidade Stanford, em 1998, hoje vale 160 bilhões de dólares e começa a assustar o mundo inteiro pelo volume de informações arquivadas em aproximadamente 450 mil computadores do tipo servidor espalhadas pelo planeta.

 

A Google é vista como um paradigma da era digital porque saiu do nada pelas mãos de dois estudantes que abandonaram a faculdade e cometeram a ousadia de dar de graça o principal produto da empresa, um sistema de buscas de informações na Web.

 

Larry Page e Sergei Brin tinham 25 anos quando criaram a companhia cujo principal atrativo era um sistema de classificação de buscas na Web que facilitava enormemente a vida dos internautas, quando recebiam uma avalancha de resultados, onde era praticamente impossível separar o joio do trigo.

 

Hoje, a Google já vale mais do que a Microsoft embora o seu patrimônio físico represente apenas uma fração mínima de sua cotação na bolsa. A empresa de Larry e Sergei cresce tanto que hoje ela se tornou uma dor de cabeças para os estrategistas financeiros mundiais porque a Google não segue os modelos corporativos convencionais.

 

A última edição da revista inglesa The Economist (leia tradução no OI) reflete bem a angustia dos gurus do capitalismo mundial diante do gigantismo cada vez maior da Google e das dificuldades para prever os rumos futuros do modelo de negócios da empresa.

 

Para se ter uma idéia, a patente do mecanismo de buscas que gerou todo o império Google é de propriedade da Universidade Stanford e só foi registrado três anos depois da criação da empresa. Ou seja, a principal ferramenta da Google não é dela e seu principal ativo é intangível, pois são bytes de informação e que atendem seis em cada dez buscas feitas por internautas em todo mundo. .

 

O segredo do sucesso parece óbvio, pois a empresa oferece a solução perfeita para encontrar o que buscamos no meio da avalancha de 5 exabytes de documentos colocados anualmente na Web (equivalente a 50 mil vezes todo o acervo digitalizado da biblioteca do Congresso norte-americano, a maior do mundo).

 

Mas o medo tem também razões óbvias. Além da imprevisibilidade da performance futura da Google, começa a se espalhar o vírus da dúvida em relação o que pode ser feito com o fantástico volume de informações guardadas nos servidores que acumulam uma quantidade de documentos estimada pela Revista Wired em centenas de petabytes (cada petabyte equivale a um quadrilhão de bytes).  

 

O The New York Times recebe diariamente pelo menos uma queixa de usuários da Web contra a captura de informações antigas por mecanismos de busca que indexaram os arquivos do jornal, que digitalizou suas edições desde o inicio do século passado.

 

Muita gente já começa a sentir o chamado Efeito Google, ou seja, fatos já empoeirados ganham uma incomoda atualidade quando aparecem na lista de resultados de buscas. Os casos mais freqüentes acontecem nos pedidos de emprego, quando os candidatos acabam confrontados com informações a seu respeito que muitos ignoravam ou já haviam esquecido.

 

A privacidade individual está sendo gradualmente reduzida a pó, especialmente na geração mais jovem, cuja existência inteira já está documentada na Web através de fotos, gravações de áudio, vídeo e texto.

 

Por tudo isto, o Google está deixando de ser apenas uma empresa. Seu banco de dados internacionalizado começa a ser visto como uma questão global.

 

Comentários (10)
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Filipe  Fonseca, Funcionário Público (Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 24/9/2007 às 2:05:21 PM

Erro: o NY Times pode ser um excelente jornal, mas digitalizar edições em 1901? Entendi o sentido, mas a frase está pra lá de ambígua!
Fábio  de Oliveira Ribeiro, advogado (Osasco/SP)
Enviado em 14/9/2007 às 8:08:42 PM

Há dois ou três anos fiz alguns estudos de história e historiografia e pude constatar que: 1) Quanto mais recuamos no tempo mais a história se assemelha à literatura em razão da carência ou precariedade das fontes; 2) Quando nos aproximamos do presente as fontes são maiores, melhores, mas justamente em razão disto o historiador acaba recorrente à literatura por ser obrigado a escolher algumas poucas fontes desprezando a maior parte das informações que poderia utilizar. Com a Internet ocorre algo semelhante. Quanto maior o volume de informações maior a impressão de controle e menor a possibilidade do mesmo ser realizado. É humanamente impossível filtrar todas as informações de maneira a controlar cada um dos usuários. O número de internautas está quase chegando a casa do bilhão e as informações processadas diariamente já chegou as centenas de bilhões. Além disto, se os serviços de informação perderem muito tempo só com o que rola na rede permitirão aos terroristas uma maior eficiência. Uma célula terrorista desconectada não pode ser detectada e alcançar uma eficiência semelhante ao 11 de setembro JUSTAMENTE POR CAUSA DA GOOGLE E DA ILUSÃO DE CONTROLE QUE ELE PERMITE.
Leonildo  Junior, estudante (Ribeirão Preto/SP)
Enviado em 12/9/2007 às 4:31:11 PM

Parece que finalmente encontramos o verdadeiro "Big Brother".
teste  teste, teste (teste/SP)
Enviado em 12/9/2007 às 2:56:24 PM

teste
Tiago  Pamplona, Estudante de Comunicação (Vinhedo/SP)
Enviado em 11/9/2007 às 3:50:38 PM

Engana-se quem pensar que futuramente o google dominará o mercado da internet ou a chamada internet 2.0 (parte da internet onde os próprios usuáriso publicam o conteúdo), está comletamente enganado, pois, iso já aconteceu, imaginem só agora, sabendo de como o google conquistou seu enorme espaço, com uma simples idéia de ´´dar´´ seu principal produto aos usuários, já pensaram se eles tem uma outra grande idéia. ainda bem que com certeza vou estar vivo pra ver este ocorrido.
Leonardo  Bnb, analista (Vitoria/ES)
Enviado em 11/9/2007 às 1:53:01 PM

Concordo que a questão do impacto do banco de dados da Google (e da internet como um todo) na privacidade é um assunto crítico e ainda será fonte de muitos debates importantíssimos. Gostaria porém de fazer uma pequena correção no texto, sobre a informação que os criadores da Google "abandonaram a faculdade" (como realmente foi feito por Bill Gates, criador da Microsoft) dando a impressão de que eles largaram "o mundo teórico" da universidade para se aventurarem no "mundo prático" empresarial. Até onde eu sei, eles eram estudantes de doutorado da prestigiada universidade de Stanford e o software de busca se baseou justamente na tese de doutorado de ambos. Fiz questão de escrever esse comentário, apesar de não ser o tema central do artigo, pois vejo a criação da Google como um ótimo exemplo de conhecimento acadêmico transformado em riqueza devido à proximidade entre as universidades e empresas. Fico bastante triste ao perceber que o Brasil ainda não "acordou" para essa mudança de paradigma na economia e na sociedade como um todo, onde conhecimento+informação=riqueza. Infelizmente, no nosso país a educação não é vista como prioridade máxima nem para os governantes nem para grande parcela da população. Desta forma continuamos a perder inúmeros talentos acadêmicos, ora para outros países, ora para empresas onde vão exercer serviços mais burocráticos que criativos.
Comentário do Autor

Oi Leonardo,
Sergei Brin e Larry Page terminaram o mestrado na Universidade Stanford mas não concluiram o doutorado. Ambos trancaram a matrícula indefinidamente. Muito obrigado pela correção e espero contar sempre com as tuas observações. Um abraço Castilho

Ivan  Moraes, sem profissao (Newark, NJ/MG)
Enviado em 7/9/2007 às 11:27:17 PM

"Seu banco de dados internacionalizado começa a ser visto como uma questão global": o "ingles tecnico" que as universidades passaram a mistificar a um passo da santificacao nos anos 70 escondia um fato muito decisivo para o futuro da educacao: os autorais eram norte americanos e a populacao passou a achar "natural" que se os livros escolares podiam ser cobrados em dolar *qualquer livro* podia ser cobrado em dolares. Hoje o preco de toda e qualquer propriedade intelectual no Brasil eh em dolares por causa da ma vontade dos governos que negaram e negam a educacao aos que nao teem, digamos, sobrenomes estrangeiros. O google esta virando um monstro exatamente por seu algoritmo LIVRE, que acha informacao LIVRE altamente especializada LIVRE DE PAGAMENTO. O resto do mundo pode ir catar coquinhos mais rapidinho. Plantar batatas tambem ajuda. A negacao do google como potencia *economica* so atraza a disseminacao de informacao LIVRE. Ou sera $0.25c de dolar por semana como modelo economico viavel SEM INFILTRACAO BANCARIA, ou os bancos destroem o mundo virtual em +- 10 anos. Como eu ja especifiquei bem claramente: vai catar coquinhos com suas "porcentagens" e "juros" -os governos podem ir catar mais do que catam ultimamente com seus "impostos" sobre informacao. O unico modelo de informacao que funcionaria destruiria praticamente toda a logica da bolsa de valores. Amen.
Ivan  Moraes, sem profissao (Newark, NJ/MG)
Enviado em 7/9/2007 às 11:27:10 PM

E se os bancos tentarem se infiltrar na internet vai ser forcando governos e causando guerras e fome como sempre fizeram. Um dos sistemas de pagamento eletronicos, por exemplo, o PayPal, eh uma monstruosidade bancaria que cobra porcentagem [b]por cada transacao[/b]. Eh o que os bancos estao tentando salvar, sua propria sobrevivencia. Que morram mais rapido... e se quizerem ajuda estou aa disposicao. So acho uma pena que o brasileiro vai ficar mais uma vez fora da fronteira tecnologica por causa do atrazo forcado goela abaixo numa populacao que mal pode se defender sequer dos assaltantes. Uma lastima. O Brasil que eu esperava encontrar eh o Brasil que nao serah...
Julio  Valerio Neto, funcionario publico (Poços de Caldas/MG)
Enviado em 6/9/2007 às 6:07:32 PM

Excelente materia. So o orkut tem um arquivo com foto e dados de milhoes de pessoas. O youtube faz as ligaçoes entre links e videos, amarrando quem por ele navega numa rede. Quase literalmente.
Luiz Henrique  Quemel, Estudante de jornalismo (Brasilia/DF)
Enviado em 6/9/2007 às 4:43:41 PM

Caro Carlos, inclusive por causa dessas informações antigas a Editora Abril tirou de circulação a edição online da Revista Exame, nº 752, na qual fala de um consultor (acaba de lançar recentemente um livro) que "inflou" seu currículo, Tornando um simples seminário em um "doutorado" em Antropológia pela Universidade da Autrália, com aborígenes e tudo.
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Carlos Castilho
* Ex-repórter - revista Fatos & Fotos
* Ex-redator internacional - JB
* Ex-editor internacional - Opinião
* Ex-editor telejornais - TV Globo
* Ex-chefe do escritório da TV GLobo em Londres
* Ex-redator - Cadernos do Terceiro  do Terceiro Mundo;
* Ex-correspondente latino americano  do jornal Público/Lisboa
* Ex-editor internacional do JB;
* Ex-editor associado do The World Paper/ Boston;
* Ex-editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica;
* Ex-consultor de advocacy na mídia para a União Européia;
* Professor de Jornalismo Online , Faculdades ASSESC (Florianópolis);
* Professor de Projetos Multimídia (pós-graduação latu senso) no CESUSC / Florianópolis;
* Professor de Jornalismo Online (curso a distância) no Knight Center, Universidade do Texas; 
* Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005.
* Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas.
* Mestre em Mídia e Conhecimento pelo EGC/UFSC. 
-Reside em Florianópolis / SC
email ccastilho@gmail.com


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